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Empresa
A Conserveira do Sul é uma empresa familiar fundada em 1954, na cidade de Olhão. Desde sempre, e com sucesso, procurando laborar balizada por parâmetros de tradição e modernidade, que aliados à elevada experiência adquirida permitem a produção de conservas e patés de peixe de qualidade irrepreensível.
A transferência da sua actividade industrial em 1996 para uma nova unidade, em cuja concepção existiu a preocupação de actualizar os processos de produção sem que, no entanto, fossem descurados os métodos tradicionais que tanto caracteriza as conservas de peixe, constitui uma etapa fundamental no seu já longo percurso de existência rumo à excelência respondendo cabalmente às necessidades dos consumidores cada vez mais exigentes e informados.
Como corolário dos seus esforços, a principal marca Manná, granjeia notoriedade no mercado, sendo ela um sinónimo de qualidade e tradição, no só nas conservas tradicionais, como também em novos produtos de que são exemplo as pastas de peixe.
Ao nível das conservas tradicionais a Conserveira do Sul dedica-se à produção das conservas de sardinha, cavala, atum e carapau em óleo vegetal e em diversos molhos, como o molho de tomate, de escabeche e limão.
A empresa produz ainda diversas especialidades tanto do agrado dos gourmets mais exigentes, nomeadamente as ovas de sardinha, de cavala e barrigas de atum. As pastas Manná são produzidas nas variedades de sardinha, atum e camarão.
 
História
António Jacinto Ferreira
Fundador da Conserveira do Sul

 
A qualidade e frescura do seu pescado tornaram-se numa das suas principais riquezas, e é nesta terra de gente determinada que, em 1954, surge um empreendimento de características familiares, hoje transformada numa das mais importantes fábricas de conservas de peixe do país: a Conserveira do Sul.
A Conserveira do Sul foi constituída pelo Sr. António Jacinto Ferreira e pelos seus filhos.
A Conserveira do Sul é, neste momento, uma das poucas unidades conserveiras ainda existentes no Algarve e uma das duas em laboração no concelho de Olhão.
Mau grado as crises que o sector conserveiro foi sofrendo ao longo dos últimos 30 anos, a empresa foi prosseguindo a sua actividade, embora com algumas deficiências, as quais se espera ultrapassar, através da construção da nova unidade.
A Conserveira do Sul tem como actividade principal a produção de conservas de peixe, em especial de sardinha, cavala e atum, de semi-conservas de biqueirão e sardinha e, mais recentemente, de pasta de peixe. Em determinados períodos, sempre que a oferta de outras espécies piscícolas é abundante, a empresa procede, igualmente, à sua transformação em conserva.
 
Décadas de experiência transformaram esta conserveira numa das mais respeitadas unidades do género. Aliando tradição e qualidade, a Conserveira do Sul soube afirmar-se no mercado nacional e internacional com a sua marca de prestígio "Manná".
A entrada de Portugal na União Europeia e o surgimento de um mercado cada vez mais concorrencial, trouxe novos desafios a que a Conserveira do Sul soube dar respostas concretas, assegurando não só a continuação da qualidade das conservas que sempre produziu, como também lançando novos produtos.
 
Nova Unidade Fabril
 
O estabelecimento industrial da Conserveira do Sul foi constituído de raiz com o objectivo de cumprir as exigências previstas na legislação em vigor de forma a garantir o adequado tratamento tecnológico e higieno-sanatário dos produtos da pesca transformando-o em conserva.
 
O edifício está localizado junto ao porto de pesca, integrado na nova Zona Industrial de Olhão, tem acessos fáceis e amplos, afastado da zona habitacional, não existindo qualquer fonte de poluição, contaminação e insalubridade na proximidade.
Nova Conserveira do Sul
construída em 1996 na Zona Industrial
 
A construção do edifício foi realizada tendo em conta as necessidades funcionais desta indústria, bem como tendo em vista uma solução adequada ao enquadramento arquitectónico com linhas simples e harmoniosas.
 
As instalações industriais foram projectadas de modo a criar zonas de laboração, dispostas de uma forma lógica, estabelecendo um circuito racional das diferentes fases do processo de transformação do pescado, com vista a melhorar significativamente a qualidade no produto final.
 
Tradição das Conserveiras de Olhão
 
As fábricas de Conservas de Peixe têm uma tradição muito forte na Cidade de Olhão.
A primeira fábrica de conservas, fundada em Olhão, foi a F. Delory (conhecida pela Fábrica Velha e a partir de 1954 passou a pertencer à Conserveira do Sul) em 1892. A seguir aparecem outras fábricas de conserva. A Júdice Fialho em 1893; J.A. Pacheco em 1893; também por volta de 1893, a Ramirez & Ca.; Gio Batta Trabuco em 1896. Em 1907 - Nicolo Lazarra; 1908 - Cristóvão Martins Viegas Junior; 1910 - Augusto Bruno; 1912 - Saias & Ca. Lda.; 1912- Quinta, Lda.; 1913 - Guerreiro & Ca.; 1916 - Domingos Lourenço Baeta;1918 - Aliança Fabril, Lda.; 1918 - Figueira & Ca. Lda.; 1918 - Honrado & Honrado, Lda.; 1918 - J. Reis Silva; 1920 -
Sardinha do Algarve, Lda.; 1920 - Sociedade de Pescarias e Conservas, Lda.; 1920 - Parceria Industrial de Conservas, Lda.; 1921 - Empresa de Conservas Nereida, Lda.; 1921 - Gian Baptista Parodi; 1922 - Henriques & Ca.Lda.; 1922 - J.P. Leonardo, Lda.; 1922 - Lucas & Ventura, Lda.; 1922 - Martins Baptista, Lda.; 1923 - Sociedade de Conservas Belo Monte; 1923 - Francisco Lourenço Castelo; 1924 - J.M.Cabeçadas; 1925 - Tomé, Lda.; 1926 - Santos Simões & Ca. Lda.; 1928 - União Industrial, Lda.; 1929 - Soares Viegas, Lda.; 1931 - Lazaro & Ca.; 1932 - Vasconcelos & Guerreiro, Lda.; 1932 - Empresa Mercantil de Pescas, Lda.
Antes do estabelecimento destas fábricas em Olhão, já havia outras de peixe em salmoura, onde o fundador da Conserveira do Sul começou a sua actividade quando chegou a Olhão em 1918.
O número de fábricas de conservas em Olhão em 1935 era de 37.
Depois da guerra de 1914-1918, era notório o número exagerado de fábricas. E por isso não surpreendeu o facto do governo ter proibido em 1935 a abertura de novas unidades conserveiras.
Excluindo três ou quatro fábricas, com boas estruturas comerciais e uma administração cautelosa, todas as outras, de frágil organização, estrebuchavam entre a concorrência e as dificuldades económicas. Estavam prontas a desabar diante duma crise, mais violenta, e assim no correr dos anos surge a fria realidade.
As unidades conserveiras vão desaparecendo. Pelos números que são apresentados, podemos ver a crescente diminuição do número de estabelecimentos fabris. Em 1935, 37 fábricas em laboração; em 1957, 28 fábricas em laboração; em 1964, 24 fábricas em laboração; em 1970, 13 fábricas em laboração; em 1980, 6 fábricas em laboração e em 1995 apenas duas fábricas em laboração (destas duas, uma é a Conserveira do Sul).
Como podemos ver, tem sido com alguma dificuldade que a Conserveira do Sul se tem mantido a laborar. Mas graças a grandes esforços e adaptação a novas tecnologias, a Conserveira do Sul tem sabido dar respostas a um mercado cada vez mais concorrencial. Para isso tem contribuído o lançamento de novos produtos e a qualidade das conservas tradicionais.